Carvalhos, Riachos e a Internet das Coisas

  • O IoT (Internet of Things) e a viatura conectada chegam às zonas rurais graças a um drone, e oferecem informações preditivas aos condutores em zonas de visibilidade reduzida ou de difícil acesso

  • Em 5 milissegundos, o condutor de um veículo conectado pode saber se existe algum obstáculo na estrada e, assim, antecipar as suas decisões

  • Com a futura implementação da tecnologia 5G ao volante, o risco de acidentes pode ser reduzido em 69%

 

 

Martorell, 10/10/2019. Robledillo de la Jara é uma vila de 90 habitantes, localizada nas montanhas, a  80 quilómetros de Madrid. A sua paisagem é formada por carvalhos, pinheiros, águias reais e desde algumas semanas … por drones e tecnologia de IoT. A SEAT, a Telefónica, a DGT, a Ficosa e a Aeorum lançaram um projeto piloto de IoT no qual, graças a um drone e um veículo conectado, se detetam ciclistas e obstáculos nas estradas. Para este projeto, foi necessária uma conectividade móvel celular com as primeiras características da futura rede 5G. O objetivo: dar ao condutor um “sexto sentido” para evitar acidentes.

Dos semáforos ao céu. Até agora, o 5G e a comunicação dos veículos em tempo real estavam associados aos ambientes urbanos, onde a SEAT e a Telefónica realizaram a primeira fase do projeto, com dispositivos integrados à infraestrutura, como câmeras, sinais luminosos e sensores infravermelhos. “Vimos como a viatura é capaz de comunicar na cidade e agora também nas áreas rurais. Neste teste piloto, incorporámos um drone, que envia a informação para a rede móvel e para o veículo, e o condutor pode ver as informações exibidas no painel de instrumentos ”, refere César de Marco, responsável pelo 5G Connected Car da SEAT.

30 vezes mais rápido que os nossos olhos. O ser humano demora cerca de 150 milissegundos a reagir ao toque, visão e cheiro. Com a futura conectividade 5G, o tempo de reação desde a deteção do obstáculo até à comunicação com o carro é de 5 milissegundos. “Graças a essa tecnologia móvel, que já possui características 5G, podemos obter uma latência baixa e detetar em tempo real a presença de ciclistas ou veículos na estrada”, assegura César de Marco. É assim que o sistema funciona:

  1. A câmera do drone captura uma imagem, por exemplo um ciclista a circular pela estrada.
  2. O drone envia a imagem em tempo real a um servidor MEC (Multi-Access Edge Computing).
  3. O servidor MEC dispõe de um software de visão artificial, que analisa a imagem e deteta se há uma bicicleta ou outro obstáculo na estrada.
  4. Uma vez analisada a informação, é enviado um aviso ao veículo conectado, e acende-se um alarme no painel de instrumentos. O condutor já sabe que há um ciclista mais à frente e que deverá agir com cautela para o ultrapassar.

Tecnologia que salva vidas. “O que queremos é colocar a tecnologia ao serviço da segurança rodoviária”, comenta César de Marco. Mais de metade das mortes por acidente de viação são de pessoas mais vulneráveis: ciclistas, peões e motociclistas. Na Europa, 2.100 ciclistas morrem todos os anos e 250.000 ficam feridos. “Os drones vão poder proteger zonas de visibilidade reduzida ou de difícil acesso”, conclui César de Marco. Com a futura implementação do 5G, será possível reduzir o risco de acidente em 69%, de acordo com as associações automóveis internacionais de 5G (5GAA).

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